domingo, 23 de novembro de 2008

FOTOMONTAGEM NO DADAÍSMO E SURREALISMO




A convivência e as trocas de informações das correntes vanguardistas foram fundamentais para o processo da afirmação da fotomontagem como linguagem artística. Marcel Duchamp , Man Ray e surrealistas. Alguns artistas criaram técnicas próprias dentro da fotomontagem: solarizações ( Man Ray), sobreimpressões (Magritte), fossilizações (Ubac), raspagens (Max Ernst), decalcomanias (Dominguez) e outros. O culto ao automatismo e onirismo foi gerado a partir das técnicas citadas acima. Por outro lado, a relação comMoholy-Nagy é travada com insistência, pelo jogo de fotogramas e sobretudo pelo da montagem fotográfica.
Dadaísmo e Surrealismo, em seu gosto de provocação, como em seu culto “surreal”, desenvolveram com intensidade a prática do associacionismo ( metáfora, colagem, agrupamento, montagem ). Marca física de uma presença, superfície abstrata e destacada de qualquer referência espacial, a foto é também um verdadeiro material, um dado icônico bruto, manipulável como qualquer outra substância concreta (recortável, combinável etc), portanto integrável em realizações artísticas diversas, em que o jogo de comparações (insólitas ou não) pode exibir todos os seus efeitos. As fotomontagens produzidas na época tinham materiais e características diferentes: das fotomontagens stricto sensu do berlinense John Heartfield, de vocação exclusiva de denúncia política , às de Raoul Hausmann, mais plásticas, ou às de Hannach Höch ou de Max Ernst, mais poéticas; combinações mistas e muito dominadas formalmente de um Noholy-Nagy a agrupamentos “multimídias” de um Kurt Scwitters ou de um George Grosz, mais cínicas e agressivas.



Duas versões de Rose Salavy, Duchamp por Man Ray

contnua o assunto

No projeto de ruptura de Marcel Duchamp, no início do século XX a fotografia teve um papel importante, tanto na obra do como no desenvolvimento da fotografia e da fotomontagem. “ Provavelmente Duchamp jamais foi fotógrafo sensu stricto – usou antes, toda vez que era necessário, os talentos de seu amigo Man Ray (“O Homem Raio”) , inclusive para seus auto-retratos e outros disfarces – mas toda a sua obra pode ser considerada “conceitualmente fotográfica”, isto é, trabalhada pela lógica do índice, do ato e do traço, do signo fisicamente ligado a seu referente antes de ser mimético. Assim, entre outros exemplos, de todos os seus trabalhos construídos com base na inscrição das “sombras conduzidas” (ver a série de perfis recortados em silhuetas, assim como “rayografias”, imagens-contatos, projeções diretas ou congeladas de seu rosto); ou ainda as que implicam a “moldagem”, tanto profundas quanto irônicas, tão numerosas (Objeto dardo, Folha de vinha fêmea, With my tongue in my cheek etc); as obtidas por “decalque” e por “transporte” ( Três consertos padrão, “ imagens” de um fio de um metro de comprimento caído de um metro de altura e cuja forma foi fixada, transportada e reproduzida em madeira etc); os construídos aleatoriamente por “depósito” e “fixação” (as Criações de poeira como traços do tempo) e até os próprios ready-made , que é possível descrever como casos extremos em que o produto final não apenas não parece, mas nem mesmo tem o traço físico de um objeto exterior “a ser representado”; ele e esse próprio objeto, tornado obra como tal, por um ato de decisão artística, por simples operação de seleção, de levantamento no interior do contínuo do real e de inscrição no universo da arte.”2
Os tempos de guerra foram importante para o desenvolvimento das artes. Novas tecnologias foram criadas ( aviões, instrumentos óticos, máquinas fotográficas mais potentes). Nasceu a fotografia aérea. A fotografia aérea forneceu instrumentos conceituais às atitudes da abstração em arte.


Marcel Duchamp

ARTE X FOTOGRAFIA


A fotografia é uma arte?
Philippe Dubois, no seu livro O ato fotográfico comenta a convivência da arte e fotografia no século XIX e XX: “...ora, durante um período essencial do século XIX era a fotografia que vivia numa relação relativa de aspiração rumo à arte, ora, ao longo do século XX, será antes a arte que insistirá em se impregnar de certas lógicas (formais, conceituais, de percepção, ideológicas ou outras) próprias à fotografia. Do ponto de vista histórico, tal inversão, a meu ver, encontra seu ponto de ancoragem original, sua encruzilhada, a princípio e a contrario , no movimento dito “pictoralista” (1890-1914), que assinala o ponto culminante desse desejo que a fotografia tinha de “se fazer pintura” e sua impossibilidade teórica e prática; em seguida, positivamente, na obra, fundadora para a toda modernidade, de Marcel Duchamp; depois,paradoxalmente, na obra dos pioneiros da “abstração”, El Lissitsky e Malévitch na liderança e em sua concepção “suprematista” do espaço pictural, ligada à produzida pela fotografia aérea ; e finalmente, desconstrutivamente, nas operações de (foto) montagem dos dadaístas...”1
Man Ray, S/título

FOTOMONTAGEM SÉCULO XX

A fotomontagem foi uma inovação que apareceu por volta de 1916 com os trabalhos dos artistas George Crosz (Alemanha/Berlim, 1893-1959) e John Heartfield (Alemanha/Berlim). Os artistas alemães conceberam a técnica utilizando-se do recorte de fotografias, revistas e objetos, sobrepondo imagens, num aparente, mas proposital, caos visual. No mesmo ano de 1916 nasce o Dadaísmo, com ligações próximas do Cubismo e Surrealismo.
Man Ray, Erótica

PARA QUE BLOG?

Este blog tem dois objetivos no momento em que ele for entra em rede. O primeiro é mostrar o conteúdo Fotomontagem século XX , pesquisa feita para expor em seminário na cadeira de Fotografia I, no curso de Artes Visuais do Cefet-ce, que tem como professora Margaret Menezes. O segundo é ter um espaço na Internet onde divulgue minha produção artística.
Nivardo Victoriano

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

começo de tudo

Estou testando como fazer o blog